Pandemia acelera uso da inteligência artificial na saúde

Depois de investigar o uso da telemedicina entre os brasileiros, o Capterra perguntou a pacientes de todo o país sobre sua familiaridade com a inteligência artificial na saúde. Confira abaixo os resultados da pesquisa. 

A familiaridade dos brasileiros com inteligência artificial na saúde

A pandemia do coronavírus acelerou o uso da inteligência artificial (IA), presente em muitos softwares de telemedicina, pelos pacientes brasileiros. 

A conclusão é de pesquisa feita pelo Capterra sobre a adoção da tecnologia no país. 

Segundo o estudo, 39% já interagiram com um chatbot de inteligência artificial ou um assistente virtual pelo site de um médico, plano de saúde ou centro de saúde. Destes, 61% o fizeram depois do início da pandemia do vírus. 

Para levantar os dados, o Capterra ouviu 1004 pacientes de todo o país entre os dias 11 e 15 de dezembro passado (confira a metodologia no final do texto).

Inteligência artificial na saúde e o uso dos chatbots

Os números são semelhantes a pesquisa (conteúdo em inglês) realizada pela plataforma Software Advice (pertencente ao mesmo grupo do Capterra) com pacientes americanos, que mostrou que 31% deles já haviam interagido com um bot. Vale notar, no entanto, que a pesquisa foi feita antes da pandemia do coronavírus. 

O estudo do Capterra mostra também que o uso dessa tecnologia está conectado com o conhecimento de outra novidade que ganhou espaço no mundo da saúde nos últimos meses, a telemedicina. 

De acordo com a pesquisa, 74% dos pacientes que já interagiram com chatbots sabem o que é a telemedicina. Já entre aqueles que nunca utilizaram os bots, mais da metade (53%) não conhece a modalidade de atendimento médico a distância. 

O que são chatbots?

Os softwares de chatbot são programas com interface de conversação que permitem manter conversas com usuários reais através de texto e, em alguns casos, áudio. Tipicamente, estes programas podem ser configurados como widgets em websites, plataformas de mensagens, redes sociais e aplicativos.

Com base em sua complexidade, os softwares de chatbot podem ser ferramentas básicas que oferecem respostas baseadas em scripts pré-construídos ou soluções mais avançadas como assistentes virtuais que realizam transações em nome de usuários humanos.

O nível de conhecimento dos entrevistados sobre os diversos usos da IA na saúde, no entanto, varia (como é possível observar no gráfico abaixo): 

IA na saúde no Brasil

Enquanto 79% dos entrevistados afirmam ter algum conhecimento sobre o uso de bots alimentados por IA na saúde, 41% desconhecem a utilização da tecnologia para a prescrição de medicamentos.

Como os bots podem ajudar os médicos

Como é possível notar, os chatbots na medicina podem fazer mais que ajudar no atendimento básico ao paciente, para tirar dúvidas. Pensando nisso, detalhamos abaixo as principais aplicações da inteligência artificial na saúde.

Enfermaria virtual  

Como o próprio nome diz, trata-se de um bot programado para realizar algumas das tarefas de enfermaria, geralmente as mais simples relacionadas a pré-atendimento e triagem. Um chatbot desta categoria pode, por exemplo:

  • Automatizar a coleta de dados dos pacientes e alimentar os prontuários eletrônicos.
  • Responder a perguntas simples dos pacientes.
  • Identificar problemas mais complexos e encaminhar o paciente para o canal de atendimento adequado mais rapidamente.  

Diagnósticos assistidos

A inteligência artificial pode ajudar também os médicos na hora de tomar decisões. Algumas ferramentas usam a inteligência artificial para configurar bots que ajudarão na checagem de dados clínicos do paciente e, a partir dos dados recolhidos, até sugerir diagnósticos.

Prescrição de medicamentos

A prescrição de medicamentos para problemas da saúde menos graves também já conta com o auxílio da IA. Ferramentas do tipo ajudam farmacêuticos na escolha do melhor medicamento a partir das informações inseridas na plataforma. 

Contato humano ainda é o preferido

Ainda que o número de pacientes que afirmam já ter interagido com um robô virtual seja considerável, o contato direto com os profissionais de saúde segue tendo preferência.

Quando perguntados sobre qual seu método preferido para compartilhar o histórico de paciente e outras informações antes de uma consulta com um profissional de saúde, 40% afirmaram que presencialmente, com um enfermeiro ou médico; 20% disseram que sua primeira opção seria fazê-lo através de um assistente virtual com inteligência artificial.

IA na saúde e os métodos preferidos

Além de entender seu nível de conhecimento sobre as diversas possibilidades trazidas pela inteligência artificial ao atendimento médico, o Capterra investigou como os pacientes se sentiriam caso se deparassem com alguma delas (veja o gráfico abaixo).

Sentimento dos pacientes sobre inteligência artificial na saúde

Como é possível observar, quanto mais complexa a atividade, maior a rejeição à utilização das máquinas pelos profissionais de saúde: 50% afirmam, por exemplo, que sentiriam algum nível de desconforto em ter uma medicação prescrita por um software alimentado por IA. 

Por outro lado, quanto maior o conhecimento sobre as aplicações dessas tecnologias, maior a aceitação. Sete de cada dez pacientes que afirmam estar muito familiarizados com a prescrição de medicamentos assistida por IA, por exemplo, afirmam se sentirem confortáveis em um cenário em que tal procedimento se aplique. 

Os principais benefícios da IA, segundo os pacientes

O certo receio do uso da IA para questões ligadas diretamente aos tratamentos, como o diagnóstico em si, pode ser notado igualmente quando os pacientes são perguntados a respeito das vantagens da tecnologia.

A maioria (59%) vê a rapidez no atendimento como o maior benefício do uso da IA na saúde, enquanto apenas 15% apontam um diagnóstico mais preciso como sua principal vantagem.

Rapidez no atendimento é o maior benefício da IA na saúde

De forma geral, no entanto, os pacientes estão a favor da adoção da tecnologia: 43% dos entrevistados afirmam ser mais provável escolher um médico que use ferramentas de inteligência artificial ao buscar um novo profissional, contra 14% que afirmam ser menos provável fazer tal opção. 

Por fim, a grande maioria considera importante (59%) ou extremamente importante (30%) a adoção de ferramentas e tecnologias alimentadas por inteligência artificial para melhorar a experiência do paciente.  

Como adotar a IA na saúde da melhor forma

Como vimos, a aplicação da inteligência artificial na saúde é ampla e não se restringe ao atendimento por chats alimentados por robôs. 

Logo, antes de adotar ferramentas que ofereçam essas funcionalidades, os médicos devem definir para quais atividades desejam contar com o auxílio da IA.  

Como mostra o estudo do Capterra, os pacientes veem com bons olhos a adoção dessa tecnologia, mas reforçam a importância do contato direto com médicos, enfermeiros e farmacêuticos. A IA deve ser vista como um complemento, tanto para o ganho em eficiência como para melhorar o atendimento.

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Metodologia:

Para reunir os dados presentes neste estudo, o Capterra realizou um levantamento online entre os dias 11 e 15 de dezembro de 2020 em que ouviu 1004 pessoas com mais de 18 anos e de todas as regiões do país (com 51% dos entrevistados do sexo feminino e 49% do sexo masculino). Para participar da pesquisa, os entrevistados deveriam ter realizado uma consulta com um médico em 2020 e visitar um médico pelo menos uma vez por ano. Os resultados são representativos da pesquisa, mas não necessariamente da população como um todo.


Nota: Este documento não se destina, de forma alguma, a fornecer aconselhamento técnico ou endossar um plano de ação específico. Para obter conselhos sobre sua situação específica, consulte seu consultor técnico. Os aplicativos selecionados neste artigo são exemplos para mostrar um recurso no contexto apresentado. Não se tratam de endossos ou recomendações. Eles foram obtidos de fontes consideradas confiáveis no momento da publicação.