Empresas exponenciais: modelos de negócios inspiradores para quem quer investir

empresas exponenciais

Os jornais brasileiros publicaram em 2019 uma série de boas notícias relacionadas ao empreendedorismo e às empresas exponenciais. Por aqui, o número de empreendedores cresce acima da taxa de emprego e engana-se quem acredita que esses profissionais perderam uma vaga formal e resolveram abrir um negócio próprio. Pelo contrário, a maioria tira do papel uma ideia inovadora com o objetivo de solucionar algum problema da sociedade.

Essa afirmativa pode ser confirmada por meio da pesquisa realizada pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), que mostrou que 61,8% dos novos empreendedores abriram uma empresa porque identificaram uma oportunidade no mercado e não porque perderam o emprego. É o melhor índice desde 2014. O estudo mostrou também que:

  • A faixa etária de empreendedores entre 18 e 24 anos subiu de 18,9% para 22,2%;
  • Existem cerca de 23,8 milhões de mulheres empreendedoras no Brasil.

Unicórnios inspiram novos empreendedores a investir em seu negócio

As startups ligadas ao mundo tech movimentaram 7,1% do PIB Nacional e faturam cerca de R$ 467,5 bilhões em 2017. A Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Braascom) estima que até 2021 o setor deve ser receber mais investimento. Os aportes aplicados em empresas relacionadas a big data e analytics devem chegar a R$ 249,5 bilhões até 2021.

Esses e outros dados fazem parte do estudo Liga Insights IT Startups, produzido pela Liga Ventures em parceria com o Ibmec São Paulo e a Astella Investimentos. Nele, é possível encontrar informações sobre empresas como 99 freelas, Programaria, Pipz e outras organizações subdivididas em áreas como blockchain e Apis, soluções em RH, cloud, colaboração e produtividade, data science e gestão de projeto.

Outro ponto que também merece destaque é que em 2018 acompanhamos a transformação das primeiras startups brasileiras em unicórnios: 99, iFood, Gympass, Arco Educação, Ascenty, Nubank, Stone e PagSeguro.

Nós sabemos que essas empresas investem em inovação, operam com pouca burocracia, visam a escalabilidade, trabalham com custos baixos, pensam lean e investem em planejamento e pesquisa. Mas no que se refere ao modelo de negócio adotado, qual foi a chave da virada? Acompanhe abaixo!

Modelos de negócios e empresas exponenciais: qual a estratégia?

Plataforma multilateral

A plataforma de negócios é o modelo mais utilizado pelas empresas de serviços e que crescem de forma acelerada, como o Uber, iFood, Rappi e 99. O objetivo dessas empresas é conectar as pessoas que têm interesse em contratar um serviço ou comprar um produto com as empresas que ofertam esses produtos e/ou serviços.

O sucesso deste modelo de negócio está no fato de que todos os envolvidos na compra saem ganhando. O desafio, portanto, está justamente em estimular a transação dos dois lados. No caso das empresas focadas em entrega de comida, é necessário aumentar o número de clientes, restaurantes interessados em participar da plataforma e também de entregadores para retirar os pedidos.

O lucro dessas empresas exponenciais está no fechamento de pedidos. Quanto mais pedidos, mais corridas, mais produtos adquiridos, mais receita gerada. Afinal, os aplicativos ganham uma porcentagem em cima dos negócios finalizados.

Fintechs

As fintechs são startups que investiram em modelos de negócios inovadores dentro do mercado financeiro. Elas atuam como banco digital, com planejamento financeiro, pagamentos e transferências, criptomoedas, seguros e crowdfunding. As empresas mais conhecidas do ramo são NuBank, Guia Bolso, Ebanx e Creditas.

A Creditas, por exemplo, é uma das maiores startups brasileiras e trabalha com crédito com garantia. Ou seja, os clientes podem, por meio da plataforma, solicitar empréstimos com juros inferiores aos oferecidos pelos bancos mediante a garantia de veículos ou de um imóvel.

O salto do negócio aconteceu justamente porque a Creditas atua como um marketplace que faz parceria com bancos. Como existe a garantia do imóvel ou veículo, o dinheiro é disponibilizado com taxas de juros mais baixas e com risco menor para as instituições financeiras.

Em janeiro de 2019, a Creditas recebeu autorização do Banco Central para operar como uma Sociedade de Crédito Direta (SCD). Essa concessão fez com que a empresa passasse a atuar de forma híbrida, operando com os parceiros na hora de ceder créditos, mas também trabalhando em operações próprias, já que uma SCD é uma instituição financeira com conexão direta com o Banco Central.

Assinatura low-cost

O nome deste modelo de negócio é autoexplicativo: a empresa oferece um produto ou serviço com preço baixo e reduz uma série de serviços não-essenciais. No Brasil, esta forma de operar ficou famosa graças à Gol Linhas Aéreas, que entrou no mercado oferecendo passagens mais baratas e eliminando serviços como emissão de bilhete e refeições a bordo.  Esse posicionamento da empresa permitiu que muitos brasileiros trocassem o ônibus pelo avião e fez com que as concorrentes repensassem o seu modelo de negócio.

No mundo das startups que crescem de forma acelerada e buscam se transformar em empresas exponenciais, quem opera no modelo low cost é a Contabilizei. A empresa é um escritório de contabilidade online que cobra mensalidades que variam de R$ 89 a R$ 389. O valor dos serviço está bem abaixo da média do mercado de contabilidade e qualquer serviço contratado fora do pacote é cobrado como um valor adicional.

A Contabilizei tem uma carteira com mais de 10 mil clientes, já recebeu aporte de R$ 75 bilhões do fundo americano Point Venture e pretende crescer 200% até 2021.

A definição do modelo de negócio é uma das partes mais importantes da abertura de uma empresa. No entanto, não é algo escrito em pedra. Existem empresas exponenciais que mudaram o modelo de negócio várias vezes até conseguir escalar. O segredo é se atualizar e ficar de olho nas oportunidades oferecidas em seu mercado de atuação.

E o que as PMES podem aprender com as startups de crescimento acelerado?

Não há como negar que as startups transcenderam o mundo dos negócios e passaram a ser vistas como uma espécie de cultura. Esse modo de operar pode ser encarado tanto por empresas que estão abrindo as portas ou para organizações que estão em processo de crescimento.

Mas quais são os processos e decisões tomadas por esses empreendedores que  criaram a cultura de startup como mindset? Confira abaixo alguns pontos:

  • Inovação contínua: cada colaborador é responsável também por promover a inovação na organização. E não precisa ser um grande feito, uma forma diferente de fazer uma atividade já é um avanço;
  • Propósito é um diferencial competitivo: cada vez mais pessoas compram de marcas com propósito. Por sua vez, trabalhadores buscam empresas alinhadas com os seus valores;
  • Cultura organizacional forte: os colaboradores sabem o que é esperado deles e como se comportar de acordo com essa cultura;
  • Pensamento lean: colocar um projeto pra rodar o mais rápido possível em menor tempo e com pouco custo. O ajuste vem com o tempo (e os erros!);
  • Agilidade: pense na possibilidade de adotar métodos ágeis como Scrum e Kanban. É uma excelente forma de deixar todos alinhados com relação a atividades e metas;
  • Cultura do erro: falhar o mais rápido que puder para consertar mais rápido ainda;
  • Pensamento em escala: a pergunta que sempre deve ser feita e refeita “O que pode ser feito no meu processo para atrair mais clientes”?

Você acha que é possível colocar algum desses itens em prática em sua organização? Divida sua opinião conosco nos comentários!

 


Maria Augusta OrofinoMaria Augusta Orofino é palestrante e facilitadora de workshops empresariais. Tem por propósito ampliar a capacidade de agir de pessoas e organizações por meio do compartilhamento do conhecimento e da cocriação de soluções que impactem positivamente os resultados, promovendo a inovação de maneira sustentável. Já capacitou mais de 10 mil pessoas nos últimos oito anos. Palestrante TEDx. É coautora dos livros “Business Model You” e “Ferramentas Visuais para Estrategistas”. Autora do site www.mariaaugusta.com.br.